O Conexão Futura de hoje conversa com a Rede Nossa São Paulo para discutir os dados da pesquisa sobre mobilidade urbana na capital paulista.
No dia 22 de setembro, em cidades do mundo todo, foram realizadas atividades para marcar o Dia Mundial Sem Carro. Em alguns locais, como São Paulo, foram realizadas atividades ao longo da semana – a Semana da Mobilidade, de 16 a 22 de setembro. Este ano aconteceram rodas de conversa e intervenções urbanas, como Vaga Viva e a Praia na Avenida Paulista.
O período sugere uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, além de propor às pessoas que dirigem todos os dias que revejam a dependência que criaram em relação ao carro ou moto. A ideia é que essas pessoas experimentem, pelo menos nesse periodo, formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade sem usar o automóvel.
Pesquisa de Mobilidade Urbana
Assim como nos anos anteriores, a Rede Nossa São Paulo e o Ibope aproveitaram a Semana para divulgar a Pesquisa sobre Mobilidade Urbana. Em sua sexta edição, a pesquisa traz os mais diversos aspectos da mobilidade em São Paulo, como o tempo gasto no trânsito, a frequência com que os paulistanos utilizam o transporte público, a satisfação com o transporte coletivo, o uso do carro etc.
Alguns resultados:
- De acordo com a pesquisa, feita com 805 moradores, o trânsito está entre as quatro áreas mais problemáticas da cidade, citado por um terço das pessoas;
- Oito em cada dez entrevistados consideram o trânsito na cidade de São Paulo ruim ou péssimo;
- Mais de 2 milhões de paulistanos utilizam o carro todos os dias ou quase todos os dias para se locomover, mas 65% disseram que deixariam o carro caso tivessem opção de transporte adequado;
- A medida necessária mais citada pelos entrevistados para reduzir o uso de automóvel foi a construção e ampliação das linhas de metrô, mas houve crescimento do número de pessoas que citam os corredores de ônibus como uma solução: 34% em 2011 para 41% em 2012;
- Em 2012, 19% das pessoas disseram ter deixado de usar seus veículos próprios contra 13% no ano passado;
- O tempo médio de deslocamento diário declarado pelos entrevistados caiu um pouco deste ano para 2011, mas ainda é considerado grande: 2h23 em 2012 e 2h49 em 2011.
Plataforma Cidades Sustentáveis
Para além da Semana da Mobilidade, desde 2007 a Rede Nossa São Paulo e outras entidades promovem a discussão sobre o tema durante todo ano. Articulado pela Nossa São Paulo, a Plataforma Cidades Sustentáveis é formada por um conjunto de eixos, com o objetivo de apresentar propostas para a sustentabilidade urbana no Brasil, a partir de experiências inovadoras que são desenvolvidas no país e no mundo. A pesquisa das boas práticas foi feita de forma colaborativa, bem como a definição de prioridades para cada um dos eixos. Um destes eixos diz respeito à “Melhor Mobilidade, Menos Tráfego”, cuja a meta é “promover a mobilidade sustentável, reconhecendo a interdependência entre os transportes, a saúde, o ambiente e o direito à cidade”. Conheça todas as propostas previstas pelo eixo.
Plano de Mobilidade
Uma das propostas indicadas para atingir esta meta é o desenvolvimento de um plano de mobilidade urbana integrado e sustentável. Em São Paulo, o Plano está previsto em lei, mas ainda não saiu do papel. Por isso, a falta de planejamento de mobilidade é considera a maior barreira para cidade tornar-se sustentável – ela é um exemplo prático do caos urbano: a quantidade de carros excede o ideal – o que acarreta em trânsitos com mais de 200km -, o transporte coletivo é deficiente, não há ciclovias suficientes ou outras alternativas que garantam o direito à cidade.
Período eleitoral
Por ser de interesse geral da sociedade, a mobilidade é tema frequente entre os candidatos as eleições municipais. Para contribuir com a discussão, a Rede Nossa São Paulo e um conjunto de entidades, por meio do Programa Cidades Sustentáveis, estão com ações direcionadas para o período eleitoral. O Programa oferece aos candidatos uma agenda completa de sustentabilidade urbana, um conjunto de indicadores associados a esta agenda, enriquecida por casos exemplares nacionais e internacionais como referências a serem perseguidas pelos gestores públicos municipais. O programa é complementado por uma campanha que tenta sensibilizar os eleitores a escolher a sustentabilidade como critério de voto e os candidatos a adotar a agenda.
Os candidatos podem aderir a uma Carta Compromisso, disponível no site, onde também é possível ver os partidos e pré-candidatos que assinaram.
De acordo com o Ibope Inteligência, o consumo das famílias no Brasil irá crescer cerca de 13% em 2012. Essa estatística impacta diretamente a natureza e colabora com a pesquisa da ONU que diz que o consumo mundial de recursos naturais poderá triplicar até 2050. O consumo consciente parece ser um caminho necessário para chegarmos até lá.
A assembleia geral das Nações Unidas declarou 2012 como o ano internacional de energia sustentável para todos. O acesso a formas modernas de energia é fundamental para o desenvolvimento sustentável.
O volume de lixo produzido no mundo aumentou três vezes mais do que a população nos últimos 30 anos. A cultura do consumo e do desperdício despeja 30 bilhoes de toneladas de residuos solidos no planeta por ano. O brasileiro, por exemplo, produz cerca de 1 kg de lixo por dia, gerando um montante de 125 mil toneladas diariamente.
As discussões sobre os oceanos foram umas das maiores preocupações da Rio+20. São os mares do mundo os principais responsáveis pela regulação do clima e da água deste planeta.
No último dia do Rio+20 foi criado um documento por crianças do Brasil inteiro. A carta das crianças pra Terra é um documento que pretende servir como um passo inicial para a criação de uma rede nacional infantil sobre a sustentabilidade. O grupo é formado por crianças quilombolas, indígenas, ribeirinhas, de áreas rurais e urbanas.
Federações das industrias do Rio de Janeiro e de São Paulo elaboraram um documento que vai servir de base para a discussão de temas como sustentabilidade, recursos hídricos e segurança alimentar. A ideia do documento é uma tentativa de conciliar crescimento, geração de renda e equilibrio social para as gerações futuras.
Jovens de vários estados nordestinos estiveram presentes na Cúpula dos Povos, para discutir as experiências dos projetos socioambientais que desenvolvem em suas comunidades. O objetivo era de fortalecer essas iniciativas, integrar ações e divulgar esses trabalhos.
Entre as organizações presentes estava a Associação de Assentamento do Maranhão – ASSEMA, que atua no município do Lago do Junco, na comunidade de Ludovico, interior do estado. Durante as discussões, os jovens contaram de maneira informal, porém com muita propriedade, como desenvolvem trabalhos cuja preocupação central é a sustentabilidade e a convivência harmônica com o meio ambiente.
A prática desse grupo consiste em três campos: consolidação política da juventude, fortalecimento das organizações locais e, incremento da produção voltada para os jovens como estratégia econômica e também de permanência destes em suas localidades.
Na região foi iniciada uma prática de identificação e reconhecimento do patrimônio cultural de tudo aquilo que é produzido: artesanato, cultura de viveiros, quebradeiras de cocô de babaçu, mesocarpo do babaçu, etc. Dessa forma, o conhecimento tradicional vem sendo recuperado e valorizado. O trabalho tem o apoio da ASSEMA através da juventude local.
Este trabalho abre um novo horizonte para os jovens. Na conversa, eles afirmam que isso é uma maneira de dar continuidade ao trabalho da população e a possibilidade de que não haja a perda da memória de práticas que estão estreitamente enraizadas na história das pessoas que vivem no contexto rural.
Como combater a pobreza? Muitos ambientalistas e economistas defendem que é a pobreza a maior ameaça ao meio ambiente. O caminho então para a solução da questão ambiental seria a busca pelo fim das desigualdades sociais?
Um dos pontos cruciais nas discussões sobre sustentabilidade é a questão dos grandes centros urbanos. A eficiência dessas metrópoles em suportar milhões de pessoas é, na maioria dos casos, ínfima. Redes de transportes, moradias para todos, problemas de desigualdade; tudo isso indica sérios problemas de gestão das cidades que devem ser combatidos.
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