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Colha e pague

colha e pague

Nesta entrada, você fica por dentro do esquema chamado “Colha e pague”. Uma iniciativa que ajuda a manter os produtores rurais no campo – atualmente, menos de 20% da população brasileira vive em áreas rurais – e a fortalecer a economia local. Com o agricultor Alcindo Berlitz.

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Bicicleta e sustentabilidade

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O Primeiro Fórum Mundial da Bicicileta procura levantar questões em busca de um planeta mais sustentável. Como será futuro das cidades? Como se dá o papel da bicicleta nos âmbitos social, econômico, ambiental, esportivo e também cultural? De Porto Alegre, o organizador do Fórum Mundial da Bicicleta, Marcelo Sgarbossa, conversa com o Conexão.

 

http://www.youtube.com/watch?v=NsUacD013Ic

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FST: Fórum Brasileiro de Economia Solidária traz a reflexão sobre a construção de um novo modelo de economia

Relações horizontais, fortalecimento do comércio da região, valorização de saberes locais, uso consciente dos bens da natureza e valorização do indivíduo são prerrogativas da economia solidária

Integrantes de movimentos pela economia solidária construíram, durante o Fórum Social Temático, diversos momentos de debate, ampliação e fortalecimento da mobilização desta outra forma de consumir e produzir. Debates preparatórios para a Plenária Nacional da Economia Solidária, sensibilização para adesão à Campanha pela Lei da Ecosol e o lançamento das bases de serviço de comercialização foram as atividades desenvolvidas durante os dias 24 a 29 de janeiro em Porto Alegre-RS. Acompanhando os debates, próximo à Usina do Gasômetro, foram montadas barracas para a comercialização dos produtos produzidos por diversos empreendimentos da economia solidária pelo Brasil afora.

Os empreendimentos de economia solidária reafirmaram durante as atividades a ecosol como alternativa a crise civilizatória – de intensa degradação do meio ambiente, da desvalorização da força de trabalho do ser humano e da não efetivação de direitos sociais essenciais ao ser humano. Contrapondo a isto, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária compreende a economia solidária como outra relação com o trabalho, o meio ambiente, os seres humanos e o consumo que passem por relações horizontais, fortalecimento do comércio da região, valorização de saberes locais, uso consciente dos bens da natureza e valorização do indivíduo.


Campanha pela Lei da Economia Solidária: Iniciativa Popular para um Brasil Justo e Sustentável

Os grupos que já tem realizado mobilizações para a aprovação da Lei de iniciativa popular Economia Solidária: Iniciativa Popular para um Brasil Justo e Sustentável definiram durante o FST novas estratégias de ação. O desafio para reunir mais de um milhão de assinaturas de apoio a Lei é mobilizar setores ainda não sensíveis a proposta da economia solidária. Para isto os grupos tem reforçado que a economia solidária não é uma alternativa de complementação de renda ou uma política exclusiva para população socialmente excluída: é uma proposta para toda a sociedade. “A economia solidária é passar a ter poder político do ato de consumir”, destaca Diogo Ferreira de Almeida, integrante da coordenação do FBES.

A Lei traz a definição do que é ecosol e o que são empreendimentos, define a política pública para a economia solidária e cria fundo de apoio.

Saiba mais sobre a Lei da Economia Solidária: Iniciativa Popular para um Brasil Justo e Sustentável. Clique aqui.

Sobre o Fórum Brasileiro de Economia Solidária
Criado em 2003 e presente em 27 estados brasileiros, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária é um espaço de articulação e diálogo de pessoas e coletivos que atuam para a implementação da política de economia solidária.

Saiba mais sobre o Fórum Brasileiro de Economia Solidária. Clique aqui

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FST: Organizações reafirmam a agricultura familiar como modelo sustentável de produção de alimentos

Agricultores familiares destacam que é necessário tratamento diferenciado por parte do governo, com poíiticas públicas mais sólidas de assistência e estruturação da agricultura familiar

Estruturada em núcleos familiares, com grande e diversificada produção de alimentos em espaços inferiores a 10 hectares e de cuidado permanente do solo, da semente e da àgua para assegurar a gerações futuras o trabalho com a terra. São estas outras relações com a produção, com o meio ambiente e com a força de trabalho que fazem da agricultura familiar um modelo sustentável de produção de alimentos. Esta foi a reflexão presente no painel Agricultura Familiar e desenvolvimento sustentável, realizado no dia 25 de janeiro durante o Fórum Social Temático, em Porto Alegre/RS.

A atividade proposta pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf – Brasil) teve a participação de agricultores familiares de várias regiões do país e de outros países da América Latina, movimentos sociais e sindical.

Segundo as pessoas presentes no debate, o modelo de produção de alimentos – que rebate na vida do povo – deve ser conhecido e questionado por toda a população. “Muitas vezes o pequeno agricultor é o único e principal ator na mudança para a sustentabilidade”, aponta Guilherme Radomsky, professor de sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e assessor da atividade.  Para além de refletir o preço do alimento e como ele chega a mesa dos brasileiros, é necessário questionar a quem este modelo de agricultura beneficia, que impactos ambientais gera, que relações de trabalho estabelece, a que custo social e ambiental resulta a escolha de um determinado modelo de produção: “´É preciso pensar a agricultura familiar como modelo de vida e não apenas de produção”, destaca um dos agricultores presentes.

Conheça um pouco do olhar do agricultor familiar sobre sua relação com a terra

 

Políticas públicas dirigidas a agricultura familiar e o que chega a mesa do brasileiro

De acordo com o último Censo Agropecuário publicado em 2009, e que teve como objetivo fazer um retrato da agricultura brasileira, foram identificados 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar. Eles representavam 84,4% do total, mas ocupavam apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área dos estabelecimentos agropecuários brasileiros. Já os estabelecimentos empresariais representam 15,6% do total e ocupavam 75,7% da sua área.

Embora somem a menor parte de terra dos estabelecimentos agropecuários – segundo o Censo é a agricultura familiar que fornece o alimento consumido pela população brasileira: 87,0% da mandioca, 70,0% do feijão, 46,0% do milho, 38,0% do café, 34,0% do arroz, 58,0% do leite. A agricultura familiar ainda detém 59,0% do plantel de suínos, 50,0% do plantel de aves, 30,0% dos bovinos, e produz 21,0% do trigo.

De acordo com os agricultores presentes no debate – é fundamental que o governo brasileiro valorize e intensifique a execução de politicas públicas dirigidas a agricultura familiar a fim de garantir que o alimento continue a chegar nas mesas do povo: possibilite o crédito, disponibilize assessoria técnica diferenciada e específica, incentive a permanência do agricultor e novas gerações no campo e desenvolva práticas de educação ambiental para que o consumidor escolha consumir alimentos produzidos numa relação de respeito a natureza e entre as pessoas.

Estas bandeiras serão levadas pelos agricultores familiares a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio +20, realizada no Rio de Janeiro nos dias  20 a 22 de junho deste ano.

Para saber mais sobre o trabalho desenvolvido pela Fetraf clique aqui.

Para saber mais sobre políticas públicas para a agricultura familiar clique aqui.

 

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FST: Usinas hidrelétricas no sul

A polêmica sobre a construção de usinas hidrelétricas não deve se encerrar com a Belo Monte, localizada no Norte do Brasil. Pai Querê, Garabi e Panambi são alguns dos projetos que começam a sacudir o Sul do país.

“Estamos vivendo um modelo de transgressão da vida. É um estado de exceção em relação a não-garantia das conquistas sociais”. A frase é do biologo e professor Paulo Brack, que integra a ONG Ingá e o Movimento Rio Uruguai Vivo, organizações que promoveram o debate “Energia para quê e para quem?”, na tarde do dia 26.

O Rio Uruguai, que hoje já sofre os impactos de sete usinas, poderá receber outras 12, caso todos os projetos sejam efetivados. Isso transformaria o Rio em praticamente uma escada de barragens, sendo que em alguns casos a distância entre uma e outra seria de apenas 2 a 3 quilômetros. Além dos impactos ambientais e sociais, com remoção até mesmo de uma cidade inteira, os integrantes alertam que não haverá água suficiente para abastecer tanta usina. Hoje, no verão, quando a ocorrência de chuvas na região é mais escassa, já há problemas com insuficiencia de água nas usinas construídas no país Uruguai, no leito do mesmo rio.

O projeto Garabi, bi-nacional entre Brasil e Argentina, é um dos mais polêmicos. Pelo projeto inicial, inundaria 30 mil hectares do lado brasileiro e uma área equivalente do lado argentino. Nesse tempo, várias alterações foram feitas no projeto, mas a população e os movimentos sociais não estão tendo acesso às informações. O acesso está sendo negado e alguns ativista estão sofrendo ameaças.

Já a Hidrelétrica Panambi é um projeto recente que chegou no embalo do PAC, em 2007, e que pode levar ao desaparecimento do Salto do Yucumã, o maior salto longitudinal do mundo, com 1,8 km de extensão de queda d’água. Como nos outros casos, a sociedade não está tendo acesso ao projeto.

Em março, será realizado em Porto Alegre o IV Fórum sobre Hidrelétricas. A idéia é fortalecer a mobilização social, culminando com atividades na Rio + 20.

Para saber mais, acesse os blogs http://riouruguaivivo.wordpress.com e http://sosriopelotas.wordpress.com

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FST: Marcha de abertura reúne diferentes vozes e bandeiras

Um espaço de anúncio e de denúncia – nas diversas causas e bandeiras. Esta foi a fotografia colorida e plural da marcha de abertura do Fórum Social Temático, na tarde de forte calor desta terça-feira (24), em Porto Alegre-RS.

Movimento sociais diversos, trabalhadores e estudantes caminharam do Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Municipal até o anfiteatro Pôr do Sol. Cada coletivo, organização e movimento social empunhou suas bandeiras de luta e palavras de ordem. Segundo a organização do FST a marcha reuniu 20 mil pessoas ao longo do trajeto.

Com mais de 900 atividades autogestionárias, a programação do FST se estende até dia 29 de janeiro. Saiba mais da programação no site oficial do Fórum Social Temático.

Veja as fotos da marcha de abertura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Crédito fotos: Michele Torineli

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FST: Rumo a Rio + 20 dos Povos: Um novo periodo histórico?

Participantes do FST  se reuniram nessa quarta feira (24) em Porto Alegre/RS para discutir esse novo momento histórico, com a participacão de representantes dos Movimentos Sociais e Organizações Não Governamentais de diversos países.

As principais questões que nortearam o debate foram: Estamos em um novo momento histórico? Que consequências esse momento tratá? Os painelistas contextualizaram a situação vivenciada em seus países e apontaram alguns caminhos como estratégia para o enfrentamento desse momento importante e de muita preocupação global, onde a atenção dos movimentos sociais se volta para a Rio + 20 e na definição de posicionamentos e ações de enfrentamento à crise global. Um ponto em comum da discussão foi o consenso de que essa é uma crise de grandes proporções tendo em vista que ela não é apenas uma crise do capital financeiro, mas também é social, ecológica e ideológica, tudo isso num cenário mundial.

Dentro dessa perspectiva é necessário pensar em estratégias de luta e organização dos movimentos e suas bandeiras de forma internacional, sair da perspectiva de ação local e nacional e mergulhar num processo de organização macro onde a efetivação das propostas e ações dos movimentos sociais tenham maior força de ressonância.

A atividade foi organizada pelos membros do grupo organizador do FST.

Para acessar os documentos sobre esse painel:

www.dialogos2012.org

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Canal Futura no Fórum Social Temático 2012

Durante dez anos, movimentos sociais de diversos países do mundo se reuniram nas edições do Fórum Social Mundial (FSM), ecoando uníssonos a esperança de que “Um outro mundo é possível”. O slogan que embalou os FSM na última década toma um caráter mais urgente em 2012, com o Fórum Social Temático (FST), no Rio Grande Sul, que agora afirma: “É preciso reinventar o mundo” e convoca: “Vamos reinventar o mundo”.

O Fórum Social Temático começou na tarde de terça-feira, 24, e segue até o dia 29 de janeiro em quatro cidades gaúchas (Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hanburgo), trazendo com tema principal “Crise capitalista e busca por justiça social e ambiental”. A previsão é de que mais de 40 mil pessoas participem do evento.

O Canal Futura está presente no FST e por meio do Blog do Conexão Futura, Facebook e twitter vai divulgar agendas, debates, e mostrar um pouco das mais de 900 atividades autogetionadas, entre palestras, oficinas, seminários, shows e apresentações artísticas, promovidas por organizações da sociedade civil. Conheça a programação 

Eventos paralelos

Característica marcante do FSM são os eventos paralelos que dialogam com a temática e natureza do evento da sociedade civil global. Nesta edição ocorrem em simultâneo:

Fórum Mundial de Educação
III Fórum de Midias Livres
Conexões Globais 2.0

Acompanhe o evento na Web nos sites oficiais:

 Fórum Social Temático
 Fórum Social Mundial
 Ciranda
WSF TV
Radio FST

Rio + 20 e a crise econômica mundial

Na base das discussões do FST estão a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, que ocorre em junho deste ano no Rio de Janeiro, e a versão promovida pela sociedade civil global, a Cúpula dos Povos, que ocorrerá em simultâneo também na capital carioca.

E como diz o texto de apresentação do evento “O FST 2012 se insere no processo do Fórum Social Mundial, iniciadoem Porto Alegre, em 2001, e quer ser novamente um espaço de convergência do pensamento altermundista. Neste início da segunda década do século XXI, duas questões dominam os debates: a crise do mundo capitalista, no momento evidenciado no continente europeu e na recessão norte-americana; e as luta dos movimentos e organizações sociais por um desenvolvimento sustentável que preserve o meio ambiente e respeite os direitos dos diferentes grupos sociais, principalmente os mais vulneráveis do mundo”.

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Quem são os donos do cardápio infantil?

No Fórum Social Temático 2012 vai acontecer a oficina Criança e consumo: os donos do cardápio infantil. Será no dia 25 de janeiro, às 9h, no Memorial do RS (Praça da alfândega), no térreo. Para esquentar a discussão, a Dra Noemia Goldraich preparou um instigante artigo. Acompanhe! Veja mais na Agenda.

 

Quem são os donos do cardápio infantil*?

Há 40 anos trabalho como Nefrologista Pediátrica. Não recordo de ter identificado, antes dos anos 90, um único caso de pressão alta em criança que não estivesse relacionada a algum problema grave como doença nos rins, nas artérias renais, na aorta ou a tumores raros. Pressão alta era uma doença de adultos. Era!

Infelizmente, na última década, mais crianças passaram a sofrer de hipertensão arterial, uma doença crônica, isto é, que se arrasta por toda a vida e que necessita de medicação continuada. E qual a causa dessa repentina mudança? Múltiplos fatores podem causar a pressão alta mais comum – também chamada de hipertensão arterial essencial – mas os principais são a combinação de obesidade e ingestão de quantidades excessivas de sal na alimentação.

Antes de seguir em frente, é preciso que se diga que a pressão alta não é um probleminha qualquer. É fator de risco importante para infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (os derrames cerebrais), entre tantas outras consequências. E o resultado da obesidade iniciada na infância é o aparecimento de hipertensão arterial em crianças e adolescentes, de diabetes melito, doenças vasculares como infarto do miocárdio, tromboses, derrames cerebrais e todas as suas complicações.

Bem, mas não é de hoje que o sal está presente na alimentação humana. Então, por que agora estaria prejudicando também as crianças? O problema não é exatamente o sal, mas sim o sódio presente nele e é esse último que causa o aumento da pressão. É aí que entram os alimentos industrializados ou altamente processados. Há muita diferença na quantidade de sal (cloreto de sódio) colocado numa refeição cotidiana preparada em casa e os tais produtos industrializados. Nesses, o sódio está presente, além do sal, na estrutura dos conservantes e aromatizantes, usados para aumentar o período de validade ou para realçar o sabor, resultando em quantidades exageradamente grandes de sódio.

Nesse contexto, é preciso considerar que os hábitos alimentares dos brasileiros mudaram significativamente nos últimos anos. Saímos do feijão, arroz e bife para as comidas congeladas, as pré-prontas, os salgadinhos, os biscoitos e refrigerantes. Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Sem entender o que leem ou sem ler o que informam os rótulos, os pais também se seduzem pelos coloridos sinais de adição a anunciar + ferro, + cálcio, + vitaminas. Na verdade, estão comprando gordura, sal e açúcar, crentes de que seus filhos estão sendo bem alimentados. É isso mesmo. Em geral, as fantásticas embalagens coloridas contêm muita caloria e baixíssimo valor nutricional.

Estudos que vem sendo amplamente divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o brasileiro está ingerindo mais que o dobro de sal da quantidade diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5 gramas, o que equivale a uma colher de chá. O brasileiro, em média, está consumindo 12 gramas ao dia, o equivalente a uma colher de sopa. Muitos produtos que hoje fazem parte da dieta usual de crianças contêm quantidades exageradas de sal, sem que os pais percebam o perigo. Você sabe que um pacote de massa instantânea pré-cozida tipo miojo contém 5g de sal, que é a quantidade máxima diária recomendada para um adulto? Haja rins para dar conta!

Pesquisa publicada neste janeiro por um grupo da Filadélfia, no American Journal of Clinical Nutrition, uma importante revista da área, mostrou a relação entre o desenvolvimento da aceitação do gosto salgado e uma alimentação complementar, administrada a bebês, contendo amido (batatas, arroz, trigo, pão, bolachas). Foram comparados dois grupos de lactentes: um recebeu alimentação complementar com amido e o outro só comeu frutas em complemento ao leite. A aceitação para o gosto salgado já estava presente aos seis meses nos lactentes alimentados com amido e ausente nos que receberam só frutas. Os lactentes do primeiro grupo apresentaram maior probabilidade de lamber o sal da superfície dos alimentos na pré-escola, bem como de comer sal puro. Assim, segundo a pesquisa, experiências alimentares bem precoces (primeiros meses de vida) exercem um papel muito importante em moldar a resposta ao gosto salgado de lactentes e pré-escolares.

Sabemos que a formação do hábito alimentar se dá desde a gestação até cerca de dois anos de idade. E uma vez consolidado o padrão de gosto, fica difícil mudar. A isso, é preciso associar o padrão de uma infância sedentária em frente à televisão, computador e vídeo games. O resultado tem sido a obesidade. Dados do IBGE mostram que o excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência, aos cinco anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras. Houve um salto no número de crianças de 5 a 9 anos com excesso de peso ao longo de 34 anos: em 2008-2009, 34,8% dos meninos estavam com o peso acima da faixa considerada saudável pela OMS. Em 1989, este índice era de 15%, contra 10,9% em 1974-75. Observou-se padrão semelhante nas meninas que, de 8,6% na década de 70, foram para 11,9% no final dos anos 80, e chegaram aos 32% em 2008-09.

O tempo de exposição à mídia também vem aumentando. Em média, as crianças ficam mais de 5 horas diárias em frente à TV, tempo superior ao permanecido na escola, que é de 4h30min. Além disso, o padrão das crianças de hoje é acessar varias mídias ao mesmo tempo e em quase todas há inserção de propaganda, ou seja, as crianças ficam expostas a um bombardeio mercadológico. Estudo feito pela Universidade de São Paulo, em 2007, mostrou que 82% dos comerciais televisivos sugeriam o consumo imediato de alimentos ultraprocessados, 78% mostravam personagens ingerindo-os no ato e 24% dos alunos expostos a tais mensagens apresentaram sobrepeso ou obesidade. Já um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 2009 identificou que apenas 25% das crianças entre 2 e 5 anos e 38% das crianças entre 5 e 10 anos consomem frutas, legumes e verduras. Guloseimas como balas, biscoitos recheados, refrigerantes e salgadinhos ocuparam o espaço de refeições principais.

E a água? De repente esse bem essencial ao bom funcionamento do corpo humano foi sendo esquecido. Em creches, escolas e hospitais é comum não encontrarmos bebedouros. A água não está franqueada justamente a quem deveria receber estímulo constante para ingeri-la. O estímulo está focado nos sucos industrializados e nos refrigerantes.

E agora, já podemos responder quem são os donos do cardápio das nossas crianças? E quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil?

Se o que queremos para nossas crianças não é um futuro de obesos desnutridos, precisamos tomar as rédeas da situação e já. A informação continua sendo a chave-mestra e, pais, educadores e profissionais da saúde precisam saber identificar o que está escrito nos rótulos.  Se tomamos tantas medidas para a identificação de pessoas que entram nas nossas casas e nas escolas, porque não adotamos estes mesmos cuidados antes de permitir a entrada de substâncias no nosso organismo e das nossas crianças? Nunca é demais lembrar que bons hábitos alimentares começam a ser transmitidos na vida intra-uterina, que criança até dois anos não deve ser exposta ao sal e que não se deve colocar açúcar em chás e mamadeiras de bebês. Muito menos achocolatados, que contém açúcar e gordura em excesso.

Seguindo orientações da OMS, estão surgindo políticas públicas para redução do sal nos alimentos industrializados, assim como campanhas de esclarecimento ao público. Foram identificadas ações em 38 países, sendo a maioria na Europa. Já o Brasil recém está iniciando algumas medidas nessa área. Em janeiro deste ano, a Anvisa fez recomendações não obrigatórias para a redução, até 2014, em 10% no conteúdo de sal do pão francês.

Também em países europeus, há regras rígidas em relação à propaganda dirigida a crianças. Em terras nativas, dispensam-se comentários. Felizmente a sociedade começa a dar sinais de reação.

Acreditando que um outro mundo é possível, que tal a gente sonhar com uma sociedade em que a saúde das nossas crianças esteja acima dos interesses das megacorporações?

 

* Noemia Perli Goldraich  é doutora em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pós-doutora em Nefrologia Pediátrica pela Universidade de Londres, professora-associada do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRGS, nefrologista pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Doenças Crônicas na Infância da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS.

 

 

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RS: Fórum Social Temática tem como tema central Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental

O Fórum Social Temático (FST) se inscreve no processo do Fórum Social Mundial (FSM) e será uma etapa preparatória a Cúpula dos Povos na Rio+20. O evento acontecerá de 24 a 29 de janeiro de 2012 em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, tendo como tema Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental.

Como ocorre sistematicamente no FSM, a programação será constituída basicamente por atividades propostas e geridas por movimentos, coletivos e organizações da sociedade civil e são chamadas atividades autogestionárias.  A estimativa é de que a participação fique entre 50 mil a 70 mil pessoas.

Como acontece em todos os fóruns sociais, esse temático também iniciará com uma Marcha de Abertura, que será no dia 24, a partir das 15h.

Nos dias seguintes, pela manhã e tarde acontecem as atividades autogestionárias. No turno da tarde estão previstos os encontros dos grupos temáticos preparatórios à Rio + 20 e à noite acontecem os shows culturais.

Muitos eventos paralelos estão sendo organizados, como o Acampamento da Juventude – com intensa programação, o Forunzinho voltado às crianças, O Fórum Mundial de Educação e o Fórum da Saúde.  Também volta a Porto Alegre, neste ano, a Aldeia da Paz, um evento paralelo ao Fórum, mas integrado, que é um ponto para articulação das práticas dos movimentos ecológicos, ecovilas, espirituais, indígenas e artísticos. A Aldeia da Paz vai se estruturar na forma de uma grande aldeia, um grande acampamento instalado na orla do rio Guaíba.

A economia solidária terá forte presença, não apenas nos debates, mas na organização do Fórum, como vem ocorrendo desde a primeira edição do Fórum Social Mundial organizado. Mais de 120 grupos já se inscreveram para participar da Feira de Economia Solidária que será instalada próximo à Usina do Gasômetro.

O Fórum Social Temático vai acontecer principalmente na área central de Porto Alegre como Usina do Gasômetro, Casa de Cultura Mario Quintana, Cais do Porto, Assembléia Legislativa do RS e Campus Central da UFRGS.

Em Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, além de oficinas sobre terra, soberania alimentar, direitos humanos e economia populares solidária, vai acontecer o Seminário da Universidade Popular dos Movimentos; Encontro da Rede FALP – Fórum de Autoridades Locais Periféricas; Seminário Mudanças Climáticas: o Desafio Para Metrópoles Solidárias e Sustentáveis; Projeto Hip-hop sem Fronteiras – Encontro Internacional de Redes de Hip-Hop; e Direitos Humanos em territórios periféricos.

Leia aqui a Convocação do Fórum Social Temático a participação dos movimentos, coletivos e organizações.

Mais informações: www.fstematico2012.org.br
Inscrições: As inscrições para participar do Fórum permanecem abertas até o final do evento.

 

 

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