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Agricultores familiares destacam que é necessário tratamento diferenciado por parte do governo, com poíiticas públicas mais sólidas de assistência e estruturação da agricultura familiar
Estruturada em núcleos familiares, com grande e diversificada produção de alimentos em espaços inferiores a 10 hectares e de cuidado permanente do solo, da semente e da àgua para assegurar a gerações futuras o trabalho com a terra. São estas outras relações com a produção, com o meio ambiente e com a força de trabalho que fazem da agricultura familiar um modelo sustentável de produção de alimentos. Esta foi a reflexão presente no painel Agricultura Familiar e desenvolvimento sustentável, realizado no dia 25 de janeiro durante o Fórum Social Temático, em Porto Alegre/RS.
A atividade proposta pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf – Brasil) teve a participação de agricultores familiares de várias regiões do país e de outros países da América Latina, movimentos sociais e sindical.
Segundo as pessoas presentes no debate, o modelo de produção de alimentos – que rebate na vida do povo – deve ser conhecido e questionado por toda a população. “Muitas vezes o pequeno agricultor é o único e principal ator na mudança para a sustentabilidade”, aponta Guilherme Radomsky, professor de sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e assessor da atividade. Para além de refletir o preço do alimento e como ele chega a mesa dos brasileiros, é necessário questionar a quem este modelo de agricultura beneficia, que impactos ambientais gera, que relações de trabalho estabelece, a que custo social e ambiental resulta a escolha de um determinado modelo de produção: “´É preciso pensar a agricultura familiar como modelo de vida e não apenas de produção”, destaca um dos agricultores presentes.
Conheça um pouco do olhar do agricultor familiar sobre sua relação com a terra
Políticas públicas dirigidas a agricultura familiar e o que chega a mesa do brasileiro
De acordo com o último Censo Agropecuário publicado em 2009, e que teve como objetivo fazer um retrato da agricultura brasileira, foram identificados 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar. Eles representavam 84,4% do total, mas ocupavam apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área dos estabelecimentos agropecuários brasileiros. Já os estabelecimentos empresariais representam 15,6% do total e ocupavam 75,7% da sua área.
Embora somem a menor parte de terra dos estabelecimentos agropecuários – segundo o Censo é a agricultura familiar que fornece o alimento consumido pela população brasileira: 87,0% da mandioca, 70,0% do feijão, 46,0% do milho, 38,0% do café, 34,0% do arroz, 58,0% do leite. A agricultura familiar ainda detém 59,0% do plantel de suínos, 50,0% do plantel de aves, 30,0% dos bovinos, e produz 21,0% do trigo.
De acordo com os agricultores presentes no debate – é fundamental que o governo brasileiro valorize e intensifique a execução de politicas públicas dirigidas a agricultura familiar a fim de garantir que o alimento continue a chegar nas mesas do povo: possibilite o crédito, disponibilize assessoria técnica diferenciada e específica, incentive a permanência do agricultor e novas gerações no campo e desenvolva práticas de educação ambiental para que o consumidor escolha consumir alimentos produzidos numa relação de respeito a natureza e entre as pessoas.
Estas bandeiras serão levadas pelos agricultores familiares a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio +20, realizada no Rio de Janeiro nos dias 20 a 22 de junho deste ano.
Para saber mais sobre o trabalho desenvolvido pela Fetraf clique aqui.
Para saber mais sobre políticas públicas para a agricultura familiar clique aqui.
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