A sociedade organizada pode mudar os rumos da política mundial?
Quinta: aprovação automática funciona?
26/02 - PR: 10º Pink Nique
07/03 - PR: Encontro Estadual de Mulheres Trabalhadoras “Pelo fim da violência contra a mulher, pela produção de alimentos sem agrotóxicos e Reforma Agrária
A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza recebe, até 31 de março, inscrições de propostas para a primeira chamada do Edital de Apoio a Projetos de 2012. Podem concorrer ao financiamento projetos que contribuam para a conservação da natureza no Brasil e que sejam realizados por instituições sem fins lucrativos, como organizações não governamentais ou fundações ligadas a universidades.
As inscrições só poderão ser feitas por meio de formulário on line, disponível na área de editais do site da Fundação. As propostas podem ser submetidas a dois editais.
Um deles é o Edital Bio&Clima-Lagamar, que tem quatro linhas temáticas (confira lista abaixo) e é direcionado à região do Lagamar, uma extensa área de Mata Atlântica localizada entre os litorais sul de São Paulo e o litoral do Paraná. As propostas também podem ser submetidas ao tradicional Edital de Apoio a Projetos, que é direcionado a todas as regiões do Brasil e tem seis linhas temáticas (confira lista abaixo).
Não há valores mínimos ou máximos para as propostas enviadas aos editais. Nos últimos anos, o valor destinado a cada chamada do Edital de Apoio a Projetos, por exemplo, variou entre R$ 500 mil e R$ 600 mil, sendo que são aprovadas, em média, 20 propostas por chamada. Já o Edital Bio&Clima-Lagamar destina cerca de R$ 300 mil, em média, para os projetos aprovados a cada seleção.
O processo de seleção das propostas inscritas nos editais é feito de forma independente. Pareceres são emitidos por consultores voluntários e a aprovação final é feita pelos membros do Conselho Curador da Fundação.
Apoio a projetos
A Fundação Grupo Boticário é uma das primeiras instituições nacionais ligadas à iniciativa privada a financiar projetos de conservação da biodiversidade brasileira. Em 21 anos de atuação, cerca de US$ 11,3 milhões já foram doados para 1.282 projetos de 448 instituições de todo o Brasil.
Como resultados desse apoio, pesquisas descreveram 42 novas espécies de plantas e animais, bem como resultaram na proteção de 167 espécies ameaçadas de extinção. Ainda por meio do apoio a projetos, a Fundação apoiou a criação, proteção ou manejo de 414 unidades de conservação espalhadas por todas as regiões do Brasil.
Fazem parte dessas estatísticas projetos como a avaliação dos impactos da pesca no litoral do Paraná (confira), a realocação de cotias (Dasyprocta aguti) no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro (confira) ou ainda o esforço para salvar da ameaça de extinção um anfíbio raro no Rio Grande do Sul (confira). Você pode conferir mais notícias sobre os resultados de outros projetos apoiados pela Fundação acessando a página inicial de nossa área de novidades, clicando aqui.
Linhas temáticas – Edital de Apoio a Projetos
- Ações e pesquisa para a conservação de espécies e comunidades silvestres em ecossistemas naturais;
- Ações para implementação de políticas voltadas à conservação de ecossistemas naturais;
- Ações para a restauração de ecossistemas naturais;
- Ações para prevenção ou controle de espécies invasoras;
- Estudos para a criação ou manejo de unidades de conservação;
- Pesquisa sobre vulnerabilidade, impacto e adaptação de espécies e ecossistemas às mudanças climáticas.
Linhas temáticas – Edital Bio&Clima Lagamar
- Impacto das mudanças climáticas em espécies e ecossistemas;
- Monitoramento de longo prazo de variáveis bióticas e abióticas;
- Serviços ecossistêmicos e os impactos das mudanças climáticas;
- Previsão de cenários climáticos e seus impactos sobre a biota.
Fonte: http://www.fundacaogrupoboticario.org.b
Educadores ambientais afirmam a necessidade de desvendar estruturas de classe e poder entre pessoas, instituições e nações para construir uma sociedade que possibilite a vida com dignidade para todos.
A visão socioambiental deve estar a frente das escolhas e posicionamentos. Esta é uma das sensibilizações presentes no debate realizado pela 2ª Jornada Internacional de Educação Ambiental, atividade parte da programação do Fórum Social Temático. Na tarde de 28 de janeiro, em Porto Alegre-RS, educadores, organizações e movimentos reafirmaram a importância de fortalecer processos educativos de olhar para o mundo, compreender como cada indivíduo e estruturas no mundo se inserem e desenvolverem ações pela garantia da vida para esta geração e as futuras.
A atividade teve as contribuições do teólogo e escritor Leonardo Boff, a ex-ministra do meio ambiente e presidente do Instituto Marina Silva e do professor e diretor do Instituto Paulo Freire Moacir Gadotti, entre mais especialistas em educação ambiental.
De acordo com os painelistas, a educação ambiental não deve apenas direcionar o olhar para espécies em extinção ou ecossistemas fragilizados. Isto porque a educação ambiental se insere na revisão de estar no mundo. “A mudança da cultura para a sustentabilidade é complexa e a educação tem seu lugar, mas o desenvolvimento sustentável não é apenas a maneira de fazer as coisas, apenas questionando temos chance de fracassar. Não é apenas o estilo inadequado de fazer mas também de ser”, destaca Marina. Nesta compreensão é preciso rever nossa relação com o mundo, com as coisas, entre os seres humanos, com a natureza – de tal forma que compreenda toda a complexidade de relações e interações.
Uma atribuição que não deve ser restrita a governos ou organizações de atuação da área ambiental: “O ser humanos é portador de consciência, responsabilidade e cuidado, numa relação amorosa com a vida. É preciso guardar, conferir sustentabilidade para que haja reprodução”, destaca Boff. E complementa: “todas as transformações passam pela educação, por uma nova consciência, é preciso mudar o nosso olhar para a terra, para o destino e ser humano para poder construir alternativas. Nunca daremos salto de qualidade se não fizermos uma revolução na educação”
2ª Jornada Internacional de Educação Ambiental
A 2ª. Jornada se propõe a divulgar e ratificar as atividades proposta no Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, com debates para mobilizar olhares nos territórios para as realidades, com a construção e o desenvolvimento de ações para a educação ambiental e a criação de redes de educadores ambientais.
A Jornada deve ser realizada entre os anos de 2009 e 2012 e a construção de debates em torno da educação ambiental deve culminar na Cúpula dos Povos e a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.
Construído a várias mãos de muitos países, a atual versão do O Tratado de Educação Ambiental é uma revisão da declaração construída durante a 1ª Jornada, durante a Eco-92. O documento se mantem atual e juntamente com a Carta da Terra têm sido ao longo dos últimos vinte anos os grandes referenciais na construção de politicas públicas em educação ambiental e na ação de organizações sociais.
Princípios da Educação para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (seleção)
3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com
consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.
4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social.
5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar.
Leia o Tratado de Educação para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global na íntegra. Clique aqui.
Leia a Carta da Terra aqui.
Saiba mais sobre a 2ª Jornada Internacional de Educação Ambiental.
Crédito Imagem: http://miriamsalles.info
Militantes destacam que não há oposição entre agenda da moradia e ambiental e que a reforma urbana é condição para criar cidades sustentáveis.
Construir espaços de debate sobre direito ao acesso a terra, à agua tratada e ao saneamento, a função social da propriedade e o enfrentamento dos grandes projetos de desenvolvimento – estas são as grandes questões que devem ser levadas pelas organizações que compõem o Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU) para a Cúpula dos Povos e a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Estes são alguns dos posicionamentos construídos durante a oficina Reforma Urbana e Meio Ambiente, realizada no dia 27 de janeiro durante o Fórum Social Temático e Meio Ambiente, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre-RS.
Num diálogo campo e cidade, o FNRU, a Aliança Internacional dos Habitantes e a Coalizão Internacional do Habitat uniram esforços para a construção de uma agenda socioambiental para as cidades.
Neste debate, como frequência, surgem argumentos que de a luta por moradia gera impactos ambientais. Segundo as organizações presentes a ocupação de áreas de preservação permanente (APP) urbanas como áreas de mananciais ou encostas de morro pela população de baixa renda não é uma escolha, mas a única alternativa possível a quem não tem acesso ao mercado imobiliário: “As áreas de APP são áreas ocupadas por falta de politica habitacional e especulação imobiliária urbana”, afirma Nabil Bonduki, professor de planejamento urbano da Universidade de São Paulo.“A defesa do direito da cidade e da moradia adequada é a defesa do meio ambiente. A nossa defesa do direito a moradia deve garantir direito ao ambiente sustentável, à agua, não é só casa – é viver em ambiente saudável” afirma Benedito Barbosa, membro da Coalizão Internacional do Habitat e dirigente da Central dos Movimentos Populares.” De acordo com Benedito, há muito mais pautas convergentes entre a agenda pela moradia e ambiental que questões que afastam a luta dos movimentos.
Os militantes ainda denunciam que o mercado imobiliário se apropria do argumento ambientalista para agir de acordo com seus interesses: “Quando o empreendimento é para pobres muitas dificuldades são apresentadas, mas quando o terreno é para grandes empreendimentos o terreno é liberado fácil e daí não vale nada o discurso de preservação“ diz Luiz Gonzaga da Silva, o Gêgê.
Segundo a Carta Mundial do Direito à Cidade, no artigo xVi. direito ao meio ambiente “As cidades se comprometem a adotar medidas de prevenção frente a ocupação desordenada do território e de áreas de proteção e a contaminação , incluindo acústica, economia energética, a gestão e reutilização dos resíduos, reciclagem e a recuperação das vertentes para ampliar e proteger os espaços verdes”. Leia a Carta Mundial do Direito à Terra na íntegra.
Veja a opinião de Nelson Saule, advogado do Instituto Pólis – organização integrante do FNRU.
Cidades sustentáveis e reforma urbana
A construção de cidades sustentáveis, com a oferta de equipamentos básicos como saúde, educação e mobilidade urbana só é possível por meio de rearranjo urbano. “Acesso a oportunidades tem a ver com a localização do povo”, diz Benedito “Não existe cidade sustentável sem reforma urbana” garante Nabil. Rever a estrutura da cidade, a quem ela atende, como direitos sociais são estendidos a população – é passo para compreender a ocupação urbana.
De acordo com a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à moradia adequada e urbanista da Faculdade e Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) Raquel Rolnik, o número de imóveis desocupados atualmente no país pode abrigar a maioria da população sem teto. Raquel aponta que há cerca de 5 milhões de unidades vazios, quase o número estimado do déficit habitacional, de 6 milhões de moradias. Para os movimentos pela reforma urbana a ocupação pela população de baixa renda a estes espaços ociosos e presos a especulação imobiliária é fundamental para reverter a lógica de expulsão da população pobre dos centros da cidade para área afastadas.
Para os movimentos é importante também que os métodos construtivos usados no Brasil sejam debatidos e revistos: “O tijolo cerâmico usado pela construção civil e que sai da Amazônia gera grandes impactos ambientais”, diz Miguel.
Saiba mais sobre o Fórum Nacional de Reforma Urbana. Clique aqui.
Relações horizontais, fortalecimento do comércio da região, valorização de saberes locais, uso consciente dos bens da natureza e valorização do indivíduo são prerrogativas da economia solidária
Integrantes de movimentos pela economia solidária construíram, durante o Fórum Social Temático, diversos momentos de debate, ampliação e fortalecimento da mobilização desta outra forma de consumir e produzir. Debates preparatórios para a Plenária Nacional da Economia Solidária, sensibilização para adesão à Campanha pela Lei da Ecosol e o lançamento das bases de serviço de comercialização foram as atividades desenvolvidas durante os dias 24 a 29 de janeiro em Porto Alegre-RS. Acompanhando os debates, próximo à Usina do Gasômetro, foram montadas barracas para a comercialização dos produtos produzidos por diversos empreendimentos da economia solidária pelo Brasil afora.
Os empreendimentos de economia solidária reafirmaram durante as atividades a ecosol como alternativa a crise civilizatória – de intensa degradação do meio ambiente, da desvalorização da força de trabalho do ser humano e da não efetivação de direitos sociais essenciais ao ser humano. Contrapondo a isto, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária compreende a economia solidária como outra relação com o trabalho, o meio ambiente, os seres humanos e o consumo que passem por relações horizontais, fortalecimento do comércio da região, valorização de saberes locais, uso consciente dos bens da natureza e valorização do indivíduo.
Campanha pela Lei da Economia Solidária: Iniciativa Popular para um Brasil Justo e Sustentável
Os grupos que já tem realizado mobilizações para a aprovação da Lei de iniciativa popular Economia Solidária: Iniciativa Popular para um Brasil Justo e Sustentável definiram durante o FST novas estratégias de ação. O desafio para reunir mais de um milhão de assinaturas de apoio a Lei é mobilizar setores ainda não sensíveis a proposta da economia solidária. Para isto os grupos tem reforçado que a economia solidária não é uma alternativa de complementação de renda ou uma política exclusiva para população socialmente excluída: é uma proposta para toda a sociedade. “A economia solidária é passar a ter poder político do ato de consumir”, destaca Diogo Ferreira de Almeida, integrante da coordenação do FBES.
A Lei traz a definição do que é ecosol e o que são empreendimentos, define a política pública para a economia solidária e cria fundo de apoio.
Saiba mais sobre a Lei da Economia Solidária: Iniciativa Popular para um Brasil Justo e Sustentável. Clique aqui.
Sobre o Fórum Brasileiro de Economia Solidária
Criado em 2003 e presente em 27 estados brasileiros, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária é um espaço de articulação e diálogo de pessoas e coletivos que atuam para a implementação da política de economia solidária.
Saiba mais sobre o Fórum Brasileiro de Economia Solidária. Clique aqui
Agricultores familiares destacam que é necessário tratamento diferenciado por parte do governo, com poíiticas públicas mais sólidas de assistência e estruturação da agricultura familiar
Estruturada em núcleos familiares, com grande e diversificada produção de alimentos em espaços inferiores a 10 hectares e de cuidado permanente do solo, da semente e da àgua para assegurar a gerações futuras o trabalho com a terra. São estas outras relações com a produção, com o meio ambiente e com a força de trabalho que fazem da agricultura familiar um modelo sustentável de produção de alimentos. Esta foi a reflexão presente no painel Agricultura Familiar e desenvolvimento sustentável, realizado no dia 25 de janeiro durante o Fórum Social Temático, em Porto Alegre/RS.
A atividade proposta pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf – Brasil) teve a participação de agricultores familiares de várias regiões do país e de outros países da América Latina, movimentos sociais e sindical.
Segundo as pessoas presentes no debate, o modelo de produção de alimentos – que rebate na vida do povo – deve ser conhecido e questionado por toda a população. “Muitas vezes o pequeno agricultor é o único e principal ator na mudança para a sustentabilidade”, aponta Guilherme Radomsky, professor de sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e assessor da atividade. Para além de refletir o preço do alimento e como ele chega a mesa dos brasileiros, é necessário questionar a quem este modelo de agricultura beneficia, que impactos ambientais gera, que relações de trabalho estabelece, a que custo social e ambiental resulta a escolha de um determinado modelo de produção: “´É preciso pensar a agricultura familiar como modelo de vida e não apenas de produção”, destaca um dos agricultores presentes.
Conheça um pouco do olhar do agricultor familiar sobre sua relação com a terra
Políticas públicas dirigidas a agricultura familiar e o que chega a mesa do brasileiro
De acordo com o último Censo Agropecuário publicado em 2009, e que teve como objetivo fazer um retrato da agricultura brasileira, foram identificados 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar. Eles representavam 84,4% do total, mas ocupavam apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área dos estabelecimentos agropecuários brasileiros. Já os estabelecimentos empresariais representam 15,6% do total e ocupavam 75,7% da sua área.
Embora somem a menor parte de terra dos estabelecimentos agropecuários – segundo o Censo é a agricultura familiar que fornece o alimento consumido pela população brasileira: 87,0% da mandioca, 70,0% do feijão, 46,0% do milho, 38,0% do café, 34,0% do arroz, 58,0% do leite. A agricultura familiar ainda detém 59,0% do plantel de suínos, 50,0% do plantel de aves, 30,0% dos bovinos, e produz 21,0% do trigo.
De acordo com os agricultores presentes no debate – é fundamental que o governo brasileiro valorize e intensifique a execução de politicas públicas dirigidas a agricultura familiar a fim de garantir que o alimento continue a chegar nas mesas do povo: possibilite o crédito, disponibilize assessoria técnica diferenciada e específica, incentive a permanência do agricultor e novas gerações no campo e desenvolva práticas de educação ambiental para que o consumidor escolha consumir alimentos produzidos numa relação de respeito a natureza e entre as pessoas.
Estas bandeiras serão levadas pelos agricultores familiares a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio +20, realizada no Rio de Janeiro nos dias 20 a 22 de junho deste ano.
Para saber mais sobre o trabalho desenvolvido pela Fetraf clique aqui.
Para saber mais sobre políticas públicas para a agricultura familiar clique aqui.
A gestão dos recursos hídricos deve ter a participação permanente da população, conjuntamente com o poder público, na decisão dos usos da água pelo sociedade.
Está na lei: a água é um bem de domínio público, está sob tutela do Estado, tem valor econômico, é de uso prioritário do ser humano e a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do governo e do povo. No entanto, estes fundamentos previstos na Lei das Águas, aprovada em janeiro de 1997 e que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, não foram efetivados em sua totalidade. Isto porque, embora a água esteja presente na vida de toda a população, a participação popular ainda é pouco incidente na definição de políticas de gerenciamento dos recursos hídricos – o que torna sua gestão restrita ao poder público e vulnerável aos interesses do mercado.
Este foi o debate presente no painel Mudanças Climáticas, realizado nesta quinta-feira (26) em Porto Alegre-RS, como atividade do Fórum Social Temático Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental.
O debate organizado pela organização não-governamental gaúcha Instituto Saberes e Cuidados Ambientais (Isca) também contou com a presença da assessora do Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul Elaine Santos. Segundo Eliane a participação popular pode ocorrer por meio dos Comitês de Bacia Hidrográfica, espaços composto pelo poder público, usuários e sociedade civil organizada e que tem por finalidade decidir quais serão os usos da água da respectiva bacia hidrográfica pela sociedade.
É fundamental que o debate sobre usos da água seja presente na agenda pública. Para isso é necessário que – a partir de dados concretos alinhados com a garantia da disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados, para as gerações futuras e a atual – a população equacione a quantidade de água que realmente necessita e a que dispõe. E para isto a educação ambiental é condição para construir referenciais críticos sobre consumo individual e para criar estratégias e meios de responsabilização do poder público para que este assegure o acesso irrestrito a água pela população e que este bem público seja de consumo exclusivo do povo, e não vulnerável a interesses do mercado.
Lei mais sobre a Lei que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos. Leia aqui.
Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa compreende que é necessário difundir amplamente a história da realização da Copa do Mundo que não é contada para a população.
Fortalecer os comitês populares regionais, difundir amplamente os processos referentes a realização dos mega eventos no Brasil – Copa do Mundo e Jogos Olímpicos e impedir a aprovação da Lei Geral da Copa. Estes são os próximos passos apresentados pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa em entrevista coletiva realizada no Assentamento urbano Utopia e Luta na manhã do dia 24 em Porto Alegre -RS.
Estes direcionamentos foram definidos no encontro realizado anterior ao Fórum Social Temático com presença de representantes dos comitês populares das cidades-sede dos jogos.
“O governo quer nos esquecer”
Os impactos negativos que a realização dos jogos têm gerado às cidades-sede foram abordados pelos representates dos Comitês regionais e integrantes da articulação nacional. Relatos de elaboração de leis municipais que beneficiam grandes empresas, como a Lei de Desapropriação em Fortaleza, e políticas higienizadoras e segregadoras – que retiram a população pobre do centro da cidade e das vistas de potenciais turistas do evento, gerando “zonas limpas” assim noemada na Lei - foram também relatadas como parte de um conjunto de ações presentes na realização dos eventos esportivos. “É parte do pacote Fifa”, destaca a arquiteta Cláudia Favaro, integrante do Comitê Popular da Porto Alegre.
O conjunto de violações aos direitos humanos provocados em decorrência da realização da Copa do Mundo no país foi denunciado e apresentado no Dossiê Nacional de Violações de Direitos Humanos lançado em dezembro de 2011. Veja aqui o Dossiê.
Sobre a Lei Geral da Copa
Os representes da Articulação Nacional destacaram que a Lei Geral da Copa (PL nº. 2330/2011) que dispõe sobre medidas relativas à Copa das Confederações de 2013 e à Copa do Mundo de 2014 não atende aos interesses da população. E no uso de argumentos ufanistas e possibilidade de desenvolvimento dá-se abertura a ações que ferem a soberania nacional como a venda de bebidas alcoólicas em estádio – proibição prevista no Estatuto do Torcedor – e a criação de juizado de crimes especiais em que instaura tribunais de exceção para julgar ações proibidas pela Fifa.
O enfrentamento para barrar a aprovação da Lei Geral da Copa no Congresso Federal é ação prioritária dos Comitês. “Compreendemos que a não aprovação desta Lei que fere tanto a legislação brasileira e fragiliza direitos sociais e apenas garante lucro às empresas não invabiliza a realização da Copa do Mundo”, afirma Juliana Machado.
Saiba mais do posicionamento da Articulação sobre a Lei Geral da Copa.
Sobre a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa
A articulação é composta por representantes dos Comitês Populares da Copa presentes nas 12 cidades que sediarão a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. São militantes de movimentos sociais e organizações, especialistas e membros da academia. São objetivos da Articulação Nacional fortalecer as atuações locais, construir ações unificadas e agendas comuns, gerar fluxos de partilha e difusão da informação.
Veja mais informações no site da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa em portalpopulardacopa.org
Um espaço de anúncio e de denúncia – nas diversas causas e bandeiras. Esta foi a fotografia colorida e plural da marcha de abertura do Fórum Social Temático, na tarde de forte calor desta terça-feira (24), em Porto Alegre-RS.
Movimento sociais diversos, trabalhadores e estudantes caminharam do Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Municipal até o anfiteatro Pôr do Sol. Cada coletivo, organização e movimento social empunhou suas bandeiras de luta e palavras de ordem. Segundo a organização do FST a marcha reuniu 20 mil pessoas ao longo do trajeto.
Com mais de 900 atividades autogestionárias, a programação do FST se estende até dia 29 de janeiro. Saiba mais da programação no site oficial do Fórum Social Temático.
Veja as fotos da marcha de abertura.
*Crédito fotos: Michele Torineli
No Fórum Social Temático 2012 vai acontecer a oficina Criança e consumo: os donos do cardápio infantil. Será no dia 25 de janeiro, às 9h, no Memorial do RS (Praça da alfândega), no térreo. Para esquentar a discussão, a Dra Noemia Goldraich preparou um instigante artigo. Acompanhe! Veja mais na Agenda.
Quem são os donos do cardápio infantil*?
Há 40 anos trabalho como Nefrologista Pediátrica. Não recordo de ter identificado, antes dos anos 90, um único caso de pressão alta em criança que não estivesse relacionada a algum problema grave como doença nos rins, nas artérias renais, na aorta ou a tumores raros. Pressão alta era uma doença de adultos. Era!
Infelizmente, na última década, mais crianças passaram a sofrer de hipertensão arterial, uma doença crônica, isto é, que se arrasta por toda a vida e que necessita de medicação continuada. E qual a causa dessa repentina mudança? Múltiplos fatores podem causar a pressão alta mais comum – também chamada de hipertensão arterial essencial – mas os principais são a combinação de obesidade e ingestão de quantidades excessivas de sal na alimentação.
Antes de seguir em frente, é preciso que se diga que a pressão alta não é um probleminha qualquer. É fator de risco importante para infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (os derrames cerebrais), entre tantas outras consequências. E o resultado da obesidade iniciada na infância é o aparecimento de hipertensão arterial em crianças e adolescentes, de diabetes melito, doenças vasculares como infarto do miocárdio, tromboses, derrames cerebrais e todas as suas complicações.
Bem, mas não é de hoje que o sal está presente na alimentação humana. Então, por que agora estaria prejudicando também as crianças? O problema não é exatamente o sal, mas sim o sódio presente nele e é esse último que causa o aumento da pressão. É aí que entram os alimentos industrializados ou altamente processados. Há muita diferença na quantidade de sal (cloreto de sódio) colocado numa refeição cotidiana preparada em casa e os tais produtos industrializados. Nesses, o sódio está presente, além do sal, na estrutura dos conservantes e aromatizantes, usados para aumentar o período de validade ou para realçar o sabor, resultando em quantidades exageradamente grandes de sódio.
Nesse contexto, é preciso considerar que os hábitos alimentares dos brasileiros mudaram significativamente nos últimos anos. Saímos do feijão, arroz e bife para as comidas congeladas, as pré-prontas, os salgadinhos, os biscoitos e refrigerantes. Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Sem entender o que leem ou sem ler o que informam os rótulos, os pais também se seduzem pelos coloridos sinais de adição a anunciar + ferro, + cálcio, + vitaminas. Na verdade, estão comprando gordura, sal e açúcar, crentes de que seus filhos estão sendo bem alimentados. É isso mesmo. Em geral, as fantásticas embalagens coloridas contêm muita caloria e baixíssimo valor nutricional.
Estudos que vem sendo amplamente divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o brasileiro está ingerindo mais que o dobro de sal da quantidade diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5 gramas, o que equivale a uma colher de chá. O brasileiro, em média, está consumindo 12 gramas ao dia, o equivalente a uma colher de sopa. Muitos produtos que hoje fazem parte da dieta usual de crianças contêm quantidades exageradas de sal, sem que os pais percebam o perigo. Você sabe que um pacote de massa instantânea pré-cozida tipo miojo contém 5g de sal, que é a quantidade máxima diária recomendada para um adulto? Haja rins para dar conta!
Pesquisa publicada neste janeiro por um grupo da Filadélfia, no American Journal of Clinical Nutrition, uma importante revista da área, mostrou a relação entre o desenvolvimento da aceitação do gosto salgado e uma alimentação complementar, administrada a bebês, contendo amido (batatas, arroz, trigo, pão, bolachas). Foram comparados dois grupos de lactentes: um recebeu alimentação complementar com amido e o outro só comeu frutas em complemento ao leite. A aceitação para o gosto salgado já estava presente aos seis meses nos lactentes alimentados com amido e ausente nos que receberam só frutas. Os lactentes do primeiro grupo apresentaram maior probabilidade de lamber o sal da superfície dos alimentos na pré-escola, bem como de comer sal puro. Assim, segundo a pesquisa, experiências alimentares bem precoces (primeiros meses de vida) exercem um papel muito importante em moldar a resposta ao gosto salgado de lactentes e pré-escolares.
Sabemos que a formação do hábito alimentar se dá desde a gestação até cerca de dois anos de idade. E uma vez consolidado o padrão de gosto, fica difícil mudar. A isso, é preciso associar o padrão de uma infância sedentária em frente à televisão, computador e vídeo games. O resultado tem sido a obesidade. Dados do IBGE mostram que o excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência, aos cinco anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras. Houve um salto no número de crianças de 5 a 9 anos com excesso de peso ao longo de 34 anos: em 2008-2009, 34,8% dos meninos estavam com o peso acima da faixa considerada saudável pela OMS. Em 1989, este índice era de 15%, contra 10,9% em 1974-75. Observou-se padrão semelhante nas meninas que, de 8,6% na década de 70, foram para 11,9% no final dos anos 80, e chegaram aos 32% em 2008-09.
O tempo de exposição à mídia também vem aumentando. Em média, as crianças ficam mais de 5 horas diárias em frente à TV, tempo superior ao permanecido na escola, que é de 4h30min. Além disso, o padrão das crianças de hoje é acessar varias mídias ao mesmo tempo e em quase todas há inserção de propaganda, ou seja, as crianças ficam expostas a um bombardeio mercadológico. Estudo feito pela Universidade de São Paulo, em 2007, mostrou que 82% dos comerciais televisivos sugeriam o consumo imediato de alimentos ultraprocessados, 78% mostravam personagens ingerindo-os no ato e 24% dos alunos expostos a tais mensagens apresentaram sobrepeso ou obesidade. Já um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 2009 identificou que apenas 25% das crianças entre 2 e 5 anos e 38% das crianças entre 5 e 10 anos consomem frutas, legumes e verduras. Guloseimas como balas, biscoitos recheados, refrigerantes e salgadinhos ocuparam o espaço de refeições principais.
E a água? De repente esse bem essencial ao bom funcionamento do corpo humano foi sendo esquecido. Em creches, escolas e hospitais é comum não encontrarmos bebedouros. A água não está franqueada justamente a quem deveria receber estímulo constante para ingeri-la. O estímulo está focado nos sucos industrializados e nos refrigerantes.
E agora, já podemos responder quem são os donos do cardápio das nossas crianças? E quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil?
Se o que queremos para nossas crianças não é um futuro de obesos desnutridos, precisamos tomar as rédeas da situação e já. A informação continua sendo a chave-mestra e, pais, educadores e profissionais da saúde precisam saber identificar o que está escrito nos rótulos. Se tomamos tantas medidas para a identificação de pessoas que entram nas nossas casas e nas escolas, porque não adotamos estes mesmos cuidados antes de permitir a entrada de substâncias no nosso organismo e das nossas crianças? Nunca é demais lembrar que bons hábitos alimentares começam a ser transmitidos na vida intra-uterina, que criança até dois anos não deve ser exposta ao sal e que não se deve colocar açúcar em chás e mamadeiras de bebês. Muito menos achocolatados, que contém açúcar e gordura em excesso.
Seguindo orientações da OMS, estão surgindo políticas públicas para redução do sal nos alimentos industrializados, assim como campanhas de esclarecimento ao público. Foram identificadas ações em 38 países, sendo a maioria na Europa. Já o Brasil recém está iniciando algumas medidas nessa área. Em janeiro deste ano, a Anvisa fez recomendações não obrigatórias para a redução, até 2014, em 10% no conteúdo de sal do pão francês.
Também em países europeus, há regras rígidas em relação à propaganda dirigida a crianças. Em terras nativas, dispensam-se comentários. Felizmente a sociedade começa a dar sinais de reação.
Acreditando que um outro mundo é possível, que tal a gente sonhar com uma sociedade em que a saúde das nossas crianças esteja acima dos interesses das megacorporações?
* Noemia Perli Goldraich é doutora em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pós-doutora em Nefrologia Pediátrica pela Universidade de Londres, professora-associada do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRGS, nefrologista pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Doenças Crônicas na Infância da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS.
A Campanha busca alertar que castigos físicos e humilhantes de crianças e adolescentes não são instrumentos pedágogicos.
A Rede Não Bata Eduque lança uma nova campanha nacional com o objetivo de mostrar que bater em criança não é um instrumento pedagógico, e sim uma ameaça ao desenvolvimento infantil. A campanha será veiculada em TVs, rádios, busdoor, folders e cartazes por todo o país.
O objetivo da campanha é sensibilizar os adultos para a possibilidade de que é possível educar sem utilizar qualquer tipo de violência. Não há qualquer pesquisa científica que comprove efeitos positivos do uso de castigos físicos contra crianças e adolescentes. Porém, há centenas de pesquisas que provam que bater, xingar, menosprezar, entre outras atitudes violentas causam danos ao desenvolvimento físico e psíquico.
“Educar e cuidar de uma criança não é fácil e requer paciência, atitude e persistência. O diálogo, o afeto, a atitude positiva e os bons exemplos são instrumentos poderosos no processo educativo”, diz Márcia Oliveira, coordenadora da rede Não Bata, Eduque.
A campanha conta com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos e do Conanda. Sua ação se dá através da conscientização da sociedade sobre o direito das crianças terem sua dignidade e integridade física respeitadas, com uma educação livre de violência e baseada em estratégias disciplinares positivas. Para atingir este objetivo a Campanha trabalha com um enfoque positivo e não culpabilizador dos pais, ou seja, reconhecendo que a educação dos filhos é uma tarefa difícil e complexa para a qual propõe formas educativas que não utilizam a violência física e psicológica e que promovem o desenvolvimento físico, emocional e social dos filhos de forma saudável e participativa.
Veja o spot da campanha:
Conheça as demais peças em: http://www.naobataeduque.org.br/participe/campanha
Fonte: Rede Não Bata Eduque
© Copyright Canal Futura. Todos os direitos reservados.